A Síndrome de Prader-Willi (SPW) tem um fenótipo clínico caracterizado por hipotonia neonatal e retardo de desenvolvimento, seguido por desenvolvimento pós-natal de polifagia com subseqüente obesidade, baixa estatura, hipogonadismo hipogonadotrófico, e leve a moderado retardo mental. A Síndrome de Angelman (SA; também conhecida como a síndrome do “Marionete Feliz”) está associada com sintomas e sinais extra-piramidais (movimentos abruptos, marcha irregular com a parte superior do braço inflexível), hiperatividade, acessos, retardo mental severo com ausência de fala verbal e paroxismos de risos inapropriados. A SPW e a SA cada uma ocorre em uma freqüência de cerca de 1/10.000 a 1/20.000 nascidos. A razão pela qual elas são discutidas juntas é que ambas síndromes são mais frequentemente causadas por microdeleções na região cromossômica 15q11-q13 que é sujeita a impressão genômica.
A SPW e SA são associadas com deficiências do cromossomo 15 paterno e materno, respectivamente. As deficiências são causadas por microdeleções (~75 % de casos de SPW ou SA), por dissomia uniparental (25 % de SPW e 2 % de SA) ou por mutações na impressão genômica. Por causa da impressão genômica, há expressão monoalélica diferencial de genes nos cromossomos homólogos 15 paterno e materno, e assim as microdeleções resultam em completa deficiência de expressão de genes críticos. Os genes para SPW não foram identificados ainda, que provavelmente origina de deficiências múltiplas (síndrome de genes contíguos). Por outro lado, aproximadamente 20% dos pacientes com a SA não mostram microdeleções cromossômicas, dissomia uniparental ou mutação na impressão genômica. Recentemente, mostrou-se que estes pacientes apresentam mutação no gene que codifica para uma ligase proteína-ubiquitina (UBE3A) que está envolvida na via de degradação de proteínas dependente de ubiquitinização e sofre impressão genômica cérebro-específica.
O sequenciamento genômico da região do gene SNRPN, depois do tratamento com bissulfito de sódio, revelou que >96 % de todos dinucleotídeos CpG são metilados no cromossoma materno. Esta informação foi utilizada para desenvolver o método de PCR específico para amplificação das cópias metilada e não metilada do exon a do gene SNRPN, para diagnóstico da SPW e SA que é usado rotineiramente no GENE - Núcleo de Genética Médica.
Para estabelecimento do diagnóstico molecular para SPW/SA, no GENE, a M-PCR é usada conjuntamente com outra técnica baseada na perda de heterozigosidade para três marcadores genéticos de 15q11-q13 (D15S11, D15S113 e GABR b 3), pois a maioria dos indivíduos afetados para a SPW e a SA tem deleção ou dissomia uniparental desta região. No caso da dissomia uniparental, o paciente apresentará dois cromossomos com o mesmo alelo (isodissomia paterna ou materna) ou dois cromossomos com os dois alelos diferentes (heterodissomia paterna ou materna).
Os critérios para estabelecimento de diagnóstico molecular no GENE são: para a Síndrome de Angelman, a ausência da banda materna na M-PCR e homozigose para os três loci analisados na PCR multiplex (deleção ou isodissomia paterna) ou heterozigose para pelo menos um locus (heterodissomia paterna). Para Síndrome de Prader-Willi consideramos evidência diagnostica a M-PCR mostrando ausência da banda paterna e homozigose para os três loci analisados na PCR multiplex (deleção ou isodissomia materna) ou heterozigose para pelo menos um locus (heterodissomia materna). Ou alternativamente, a ausência da banda paterna na M-PCR, com homozigose para o locus D15S11 e heterozigose para os demais, também pode ser interpretada como microdeleção. Deste modo é possível diagnosticar praticamente todos os indivíduos afetados por SPW (deleções da PAR, DUP ou deleções no CI). Dentre os indivíduos afetados pela SA seria possível diagnosticar cerca de 79 % (deleções da PAR, DUP e deleções no CI), deixando de detectar os pacientes com mutação em um gene ou microdeleções fora das regiões cobertas por estes marcadores genéticos.
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quinta-feira, 3 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Síndrome de Treacher Collins
A Genética atual tem visto o seu campo de
ação ampliado: cerca de 30% das admissões em Pediatria e cerca de 10% das
admissões de adultos em hospitais. Isto deve-se a vários fatores,
principalmente à melhoria das condições de saúde que, favorecendo a sobrevida
de indivíduos com algumas síndromes, tornam visíveis algumas doenças genéticas.
A incidência de indivíduos com defeitos
congênitos é alta: 14% dos recém-nascidos tem um defeito congênito leve único,
não valorizável, e 0,8 % tem dois defeitos. O aumento da incidência relativa
das anomalias de ordem genética têm algumas causas: existe hoje maior acesso ao
diagnóstico; maior capacidade de diagnóstico (mais especialistas e mais meios);
a seleção natural deixa de ser operativa desde que crianças doentes que antes
morriam cedo atingem hoje a idade da procriação.
A síndrome de Treacher Collins é a mais
comum, dentre as síndromes com disostose mandíbulo-facial.
As Malformações Congênitas (do latim
CONGENITUS = nascido com) Humanas, podem ser estruturais; funcionais;
metabólicas; comportamentais e hereditárias.
A anomalia trata-se de uma anormalidade
estrutural de qualquer tipo (não incluidas as variantes anatômicas) que pode
estar presente ao nascimento.
Geralmente as causas das anomalias
congênitas não possuem um único agente etiológico, mas sim a combinação de
fatores hereditários com fatores ambientais
sendo então chamada
de HERANÇA MULTIFATORIAL. São de causas desconhecidas 50 a 60% das anomalias
congênitas!
A Disostose Mandibulo-facial é uma
ANOMALIA CONGÊNITA CRANIO-FACIAL de caráter AUTOSSÔMICO DOMINANTE (homens e
mulheres são afetados igualmente) com EXPRESSIVIDADE VARIÁVEL e PENETRÂNCIA
INCOMPLETA. Isto significa que basta um dos pais possuir o gene para que a
carga genética da síndrome seja transmitida à prole, porém esta pode não
apresentar os sinais clínicos da disostose mandibulo-facial, ou se o fizer, em
intensidade diferente da dos pais.
Esta é uma síndrome aonde 60% dos casos
são mutações novas, sem nenhum relato prévio na família. Apresenta ainda um
GENE DE EFEITO LETAL, causando aborto espontâneos e natimortos. Há prevalência
estatística da síndrome quando o gene herdado é materno.
Sua patogenia é explicada através do
resultado de um retardamento ou falta de diferenciação do mesoderma da maxila e
mandíbula os quais apresentam-se hipoplástísicos resultando em alterações como:
macrostomia, palato fundo as vezes fissurado, posição anormal e má oclusão dos
dentes.
Tem-se elucidado a patogênese da disostose
mandíbulo-facial baseada na morte das cristas neurais criando um espaço no
desenvolvimento das orelhas e um escasso ectomesênquima no primeiro e segundo
arcos branquiais.
DESCRIÇÃO
O termo disostose mandíbulo-facial faz
referência a uma anomalia que pode ser encontrada isolada ou associada a outras
alterações, resultando em várias síndromes de má formações e que tem
envolvimento simétrico facial bilateral.
A síndrome de Treacher Collins
caracteriza-se por uma má formação de defeitos intimamente relacionados com o
crânio e face, obedecendo padrão hereditário, de transmissão dominante.
Histórico
O primeiro caso foi descrito por Thomson,
em 1846;Berry fez a primeira referencia bibliográfica das fissuras faciais que
envolvem o 1 e o 2 arcos branquiais, em 1889;Treacher Collins descreveu os
componentes essenciais da síndrome em 1900. Franceschetti, Zwahlen e Klein mostraram
características de herança familiar na síndrome e cunham o termo DISOSTOSE MANDIBULO-FACIAL (1944/1949). Em
1973, Paul Tessier classificou como a combinação de 03 fissuras raras na face.
Comentário:
A grande variabilidade da expressão desse
gene responsável pelas diferenças em relação ao quadro clínico, levou a
interpretações errôneas em alguns casos, os quais foram descritos como
entidades diferentes. Cabe a Franceschetti o mérito de haver chamado a atenção
para estas variações fenotípicas da doença.
Existem
autores que classifiquem Treacher Collins e Franceschetti como síndromes
distintas, pois suas características são praticamente as mesmas, e a diferença
se dá no pavilhão auditivo, que na síndrome de Treacher Collins e obstruído (
orelha mal formada) e na Franceschetti há orelha, mas há problemas quanto a
condução do som.
Caracteristicas CLINICAS (VARIAVEIS)
·
Hipoplasia
(pouco desenvolvimento) da região malar
+ ou - na fenda do osso zigomático
·
Agenesia ou
falta de fusão do arco zigomático (ossos do rosto depressivos)
·
Mal formação dos
pavilhões auriculares (microtia)
·
Atresia do
conduto auditivo externo (hipoacusia)
·
Surdes de
condução (ausência no canal auditivo externo ou defeito do ossiculo)
·
Coloboma da
pálpebra inferior
·
Ausência parcial
ou completa dos cílios nas pálpebras inferiores
·
Posição
antimongolóide das fendas palpebrais
·
nariz com dorso largo e sem ângulo naso-forntal
·
Proeminência da
ponte nasal
·
Altura facial
anterior aumentada
·
APRESENTAM DESENVOLVIMENTO MENTAL NORMAL
ASPECTOS ORAIS
·
hipoplasia mandibular, principalmente de ramo, côndilo
e processo coronóide
·
maxila atrésica com palato ogival - 30% dos casos com
FENDA PALATINA
·
-Incompetência
funcional do palato mole,
·
mordida aberta anterior
·
Cavidade oral e
passagem do ar pequenos , mas a língua tem tamanho normal
·
Agenesia ou
hipoplasia dos seios paranasais
·
Mento recuado/
boca inclinada para baixo.
Manifestações pouco freqüentes
·
Hipoplasia da
faringe;
·
Coloboma da
pálpebra superior;
·
Microftalmia
·
Macrostomia ou
Microstomia (largura normal da boca) uni ou bilateral.
·
Atresia das
coanas;
·
Fístulas em
fundo de saco e apêndices cutâneos entre o pavilhão auricular e o ângulo da
boca;
·
Agenesia da
parótida;
·
Cardiopatia
congênita,
·
presença de
cabelos na parte externa das faces
·
Foram descritos
somente 5% de casos de oligofrenia.
Evolução
Estes pacientes apresentam às vezes
dificuldades respiratórias nos primeiros meses de vida, causadas pela
exigüidade das vias aéreas; a traqueostomia temporária está indicada em alguns
casos. A intubação costuma estar dificultada pelas vias aéreas muito estreitas.
A grande maioria destes pacientes apresenta inteligência normal, de modo que o
diagnóstico precoce da surdez e a correção da mesma pela cirurgia ou através
dos aparelhos de audição, quando possível, se reveste de grande importância
para o desenvolvimento da criança
O crescimento dos ossos da face durante a
primeira e segunda infância resulta em certa melhora das condições estéticas,
as quais melhoram mais ainda com a cirurgia plástica.
PROBLEMAS E APARELHOS CORRETIVOS
Problemas
respiratórios são os mais freqüentes, principalmente em bebês e crianças, esses
problemas são agravados quando há resfriados e infecções. Isto pode ser
explicado pelo fato do palato ser alto e as passagens nasais muito
pequenas.Esse problema pode ser sanado com a traqueostomia ou por um aparelho
que leva o ar do nariz aos pulmões ( CPAP).
Os problemas
dentais também são freqüentes pois a cavidade bucal e pequena e os dentes ficam
apinhados e pode haver mordida incorreta, que são sanados com aparelhos
ortodônticos.
Os problemas
auditivos , causados pela ma formação das orelhas e canal auditivo são
solucionados por aparelhos de audição.
TRATAMENTO
O tratamento se inicia desde o nascimento,
orientando a família quanto as particularidades da anomalia e os cuidados, que
serão muitos, necessários ao longo da vida da criança.
Se o recém nascido for portador de fenda
palatina, esta deve ser encarada segundo protocolos modernos de tratamento,
sendo com o uso imediato de ortopedia funcional dos maxilares prorrogando ao
máximo o procedimento cirúrgico de fechamento da fenda até o início da
alfabetização.
Mesmo que não haja fenda, a ortopedia dos
maxilares sendo sucedida pela ortodontia fixa previne ou minimiza grandemente
as deformidades dento-faciais características da disostose mandibulo-facial.
O problema mandibular deve ser encarado
como se o paciente fosse portador de microssomia craniofacial, seguindo-se
assim o protocolo para distração mandibular, sendo uma das grandes indicações
de distração mandibular bilateral quando da erupção dos primeiros molares
permanentes.
O tratamento dos tecidos
firmes e moles da face podem requer um número de intervenções cirúrgicas, a
primeira sendo a correção do coloboma de pálpebra nos primeiros anos de vida
(dependendo da severidade). O próximo passo, é a reconstrução da órbita com
enxertos de ossos da calvária (região superior do crânio) e correção do
deslocamento lateral canthal (correção da órbita ocular). Já a reconstrução da
orelha se faz dos 5 aos 7 anos de idade. A correção da parte inferior da face e
mandíbula , envolvendo uma íntima coordenação entre o cirurgião craniofacial e
o odontopediatra /ortodentista, com intervenção ortodôntica no começo da
erupção dos dentes permanentes do paciente. Depois que os dentes estão
alinhados em seus eixos (ou mais próximo possível) o tratamento da face
inferior, agora envolve cirurgia ortognática para reposicionar a mandíbula e a
maxila, geralmente feito quando o paciente tem 10 anos de idade. Isto pode ser
um ou dois procedimentos. O procedimento combinado envolve rotação do segmento
do meio facial ao redor de um eixo transverso no ângulo fronto nasal (para
hipoplasia maxilar severa) e alargando o ramo mandibular. Para casos menos
severos é usado a técnica de osteotomia
tipo Le Fort I para abaixar tuberosidade maxilares com o procedimento de
alargamento do ramo para a mandíbula. A medida que a face da criança continua a
crescer, procedimentos adicionais podem ser requeridos para corrigir qualquer
deformidade no desenvolvimento.
Procedimentos
complementares como enxertos de cartilagem da costela no zigomático,
encerramento da macrostomia, e genioplastias secundárias são representados de
acordo com os casos individuais. Um regime de tratamento bem planejado podem
produzir excelentes resultados finalizando em uma restauração completa de forma
e função, por conseguinte, permitindo que o paciente se adapte a uma maneira
“normal” de vida.
Cirurgia
Canthal
Muitas deformidades congênitas e adquiridas
são associadas com deslocamento Canthal medial e lateral. Pacientes com
telecanto, epicanto, hipertelorismo, síndome de Down, disostoses craniofacial e
deformidades adquiridas, todas podem ter deformidades Canthal.
Avaliação da
posição e forma do área Canthal é uma necessidade no planejamento de um
cirurgião de órbita.
O contorno e
posição do Canthi. São componentes importantes no balanço estético e simétrico
da face.
Cirurgia Canthal
consiste essencialmente em reposicionar o tendão Canthal para a posição
desejada e segurando-o no osso. Isto parece ser um simples procedimento,
entretanto, devido a complexidade anatômica da área Canthal medial e da
dificuldade de obter contorno normal simétrico do tecido mole, este
procedimento não é nem tão fácil, nem tão previsível do que parece ser. Atenção
para a técnica cirúrgica, tensão e contorno do tecido mole, posição e
mobilização do osso e curativo do tendão no osso.
Todos são
importantes para um resultado final definitivo da cirurgia Canthal.
PACIENTES OBSERVADOS
DIANA
-> 3 anos
Diagnóstico -> síndrome Treacher Collins
Sinais Clínicos -> pavilhão auricular fechado, retrognatia,
não tem comprometimento intelectual, micrognatia, audição deficiente , Coloboma
na pálpebra inferior
ANDERSON
-> 11 anos
Diagnostico -> Franceschetti
Sinais Clínicos -> micrognatia, coloboma da pálpebra
inferior, mordida aberta anterior, posição antimongoloide das fendas
palpebrais,hipoplasia da região malar próxima a fenda do osso zigomático,
surdes de condução .
Síndrome do X Frágil
Síndrome do X Frágil
O
ponto frágil do cromossomo X foi descrito em 1969 pelo Dr. Herbert Lubs, quem o
descobriu em uma família com dois irmãos com atraso mental.
Nos
finais da década de 70, esta condição foi denominada pelo Dr. Grant Sutherland
da forma como hoje é conhecida. Enquanto que as primeiras publicações médicas a
esse respeito, apareceram no final dos anos 70, foi nos últimos dez anos que
esta síndrome chamou a atenção da comunidade científica.
Em maio de 1991 se obteve a seqüência do gen
responsável por esta doença que foi chamado FMR-1 (Fragile X Mental retardation
1 Gene (Verkerk, et al, 1991).
Sítio Frágil
Em células cultivadas de alguns indivíduos existem
sítios específicos nos cromossomos que apresentam uma falha de coloração, tendo
um aspecto de constrição. Esses sítios foram denominados sítios frágeis. Eles
parecem ser locais nos cromossomos suscetíveis a quebras cromossômicas. Estão
presentes nas preparações normais, tendo que ser evidenciados alterando o meio
no qual as células estão sendo cultivadas.
Existem 17 sítios frágeis mapeados no genoma humano
que ocorrem em metáfases exatamente nos mesmos pontos em qualquer individuo. O
grupo mais comum de sítios frágeis é induzido por um meio de cultura pobre em ácido fólico, e
portanto são chamados sítios sensíveis ao folato, são herdados como caracteres
mendelianos codominantes, indicando uma seqüência de DNA única no sítio frágil.
Muito embora se suponha que os sítios frágeis sejam
locais de quebra cromossômica, até agora só um distúrbio humano, a síndrome do
X frágil, foi associado à ocorrência de um sítio frágil.
Freqüência
Segundo as estatísticas de diversos autores, somente
na Argentina o número de pessoas afetadas é de 1.200.000, cifra certamente
surpreendente, e que inclui todas as formas e causas do retardo mental. Deste
total, segundo o ilustre geneticista inglês, Dr. Leonel Penrose, ao redor de
300.000 pessoas padeceriam a Síndrome do X Frágil.
Define-se
a síndrome do X frágil (SXF) como uma condição genética hereditária, devido à
presença de uma alteração molecular ou quebra no ponto q27,3 ou q28 do
cromossomo X, a qual associa-se a problemas de conduta e aprendizagem e de
diversos graus de atraso mental.
Afeta
1 em cada 660 homens, enquanto que sua incidência é de 1 de cada 2.500
mulheres. Esta diferença deve-se ao fato de que os homens têm apenas um
cromossomo X, podendo este ter, neste caso, o ponto frágil. Ao contrário, as
mulheres têm dois cromossomos X e um deles é normal, podendo desta forma
substituir a função do cromossomo alterado.
Bases
Moleculares
A
alteração fundamental desta síndrome a nível molecular se dá no gene FMR1 que
se encontra danificado estruturalmente. A mutação consiste em um maior número
de repetições de uma seqüência de ADN, com relação aos indivíduos normais, que
apresentam de 6 a 54 cópias. Nos portadores desta alteração, esta seqüência se
repete de 55 a 230 vezes, e nas pessoas afetadas se amplia em 4000 cópias.
O resultado da completa mutação, é o desaparecimento
do gene, com a conseqüente ausência do seu produto protéico (FMRP). Esta
proteína se apresenta em muitos tecidos e em maior abundância no citoplasma dos
neurônios. Ela é de vital importância ao nível da sinapse, que é o lugar de contato
dos neurônios, porque regula a síntese de proteínas, importantes para a função
dendrítica.
Sendo as dendrites e suas prolongações as regiões
neuronais de contato sináptico por excelência, não é difícil compreender porque
uma alteração neste nível seja, em grande parte, a causa do atraso mental que
sofrem os indivíduos afetados pela SXF.
Características Clínicas
Os
sintomas que costumam estar presentes no homem, são diferentes na mulher.
Freqüência
da síndrome no homem: 1 de cada 660 nascimentos. Os sintomas no homem são:
Região frontal algo protuberante.
Rosto alongado
Orelhas aumentadas, freqüentemente com implantação
baixa.
Palato ogival
Leve prognatismo (projeção da mandíbula para a frente)
Macroorquidismo (aumento do tamanho testicular), em
80% dos casos.
Disfunção na fala, ecolalia (repetição relativamente
automática de frases ou palavras dirigidas ao doente), perseveração
(continuação e repetição involuntária de uma resposta de conduta depois de
começada), gaguejo e, às vezes, explosões em que criam frases curtas.
Conduta que vai de amigável a violenta.
Costumam apresentar autismo infantil. Padrão de
personalidade passivo-retraído muito grave que se evidencia na primeira
infância e se caracteriza por mutismo, indiferença interpessoal e atos
repetidos sem sentido.
Pobre contato ocular (vista perdida).
Onicofagia (roem unhas), em muitos casos desde uma
idade muito precoce.
Hipotonia (falta de tônus muscular). Às vezes, é o
sintoma que leva à consulta inicial. Quer dizer que a criança não tem força
para manter-se sentada ou pôr-se de pé, outras vezes tem dificuldade para mamar
no peito ou para sugar a mamadeira.
Atraso intelectual de leve a profundo.
Convulsos (20%). Quando são tratadas cronicamente com
anticonvulsivos, costumam sofrer um impacto na neuroquímica do cérebro, já que
os anticonvulsivos diminuem o valor sérico do ácido fólico, com conseqüente
agravamento do quadro.
Características mais Comuns no Quadro Clínico da
Síndrome X Frágil
Retraso intelectual de leve a profundo.
Hipotonia.
Macro-orquidismo, ou aumento do volume testicular.
Implantação baixa das orelhas.
Retraso na aparição da fala.
Problemas de atenção e conduta.
A Síndrome do X Frágil na mulher
É freqüente encontrar crianças do sexo feminino com
esta síndrome que são clinicamente normais, sendo geralmente a causa da
consulta, as dificuldades na aprendizagem ou na conduta.
Neste sentido, devemos ter presente que a mulher que
tem 4% ou menos das células afetadas, costuma ter coeficiente intelectual
normal. Por outro lado, as crianças de sexo feminino, na sua maioria são
assintomáticas. Além disso, estatisticamente só um terço delas apresentam um
moderado atraso mental.
No caso de crianças do sexo feminino é importante
levar em conta a Síndrome do X Frágil não só como fator de alterações da
conduta da aprendizagem, mas também, para fazer um correto assessoramento
genético.
O diagnóstico
Sabendo quais são as suas características clínicas, e
o que é SFX, podemos ter uma aceitável orientação, para formar um diagnóstico.
Os motivos da consulta podem ser vários e não somente
os relacionados com alterações do coeficiente intelectual.
Um dos problemas que o medico enfrenta é o de
encontrar-se com os pais que trazem a seu filho para consulta, com problemas de
atenção, problemas de conduta, hipercinesia ou falta de tônus muscular. A
pergunta que fazem ao médico, e que é motivo da preocupação, é saber o que tem
o seu filho e qual é o seu prognóstico.
Freqüentemente a resposta é que a criança está
amadurecendo bem; tudo é questão de tempo. Enquanto isso, a criança costuma a
ser medicada, recebe apoio psicológico ou algum tipo de estimulação, mas o
tempo passa e a criança não melhora. O pior é que, além de uma falta de progresso,
os pais se deparam com o fato de que verdadeiramente não sabem o diagnóstico de
seu filho. Isto se soma à justificada angustia familiar.
Com o decorrer do tempo se nota déficit intelectual,
sobretudo com o ingresso a escola. Esta situação torna-se cada vez mais grave e
torna-se crônica, gerando uma conduta familiar, com um grande sentimento de
frustração.
Mas as situa coes costumam ser cada vez mais confusas.
Algumas vezes, soma-se o fato de que a criança tem alguma má-formação ou nasceu
de um parto que, por alguma dificuldade, exigiu o uso de fórceps.
Em outras oportunidades, o paciente sofreu de um
determinado grau de anoxia (falta de oxigênio ou ficou azul) ao nascer, ou
nasceu envolto no cordão umbilical. Sem dúvida, as lesões produzidas por anoxia
ou por traumatismos mecânicos podem ter um papel importante, e até mesmo
decisivo, no atraso da maturação que a criança apresenta. No entanto, estes
problemas no parto podem ser conseqüência do estado do feto antes do
nascimento, e não a causa dos problemas que originam a consulta.
Por último, devemos mencionar que em muitas ocasiões
as crianças são tratadas com anti-epiléticos. Estes são usados como tratamento
da doença original, que não é. Além disso, se a criança tem um cromossomo X
frágil, os anti convulsivos pioram o quadro poque diminuem os níveis de acido
fólico; é por isso que, na duvida, é conveniente fazer um estudo cromossômico
para descartar a fragilidade do cromossomo X.
Para evitar essas situações devemos ter em conta que
fazer o diagnóstico o quanto antes, é de crucial importância. Este deve ser
clinico e citológico. Muitas dessas crianças têm boas possibilidades
terapêuticas, mas o seu futuro depende do diagnostico correto.
Critério diagnóstico
Começo antes dos 30 meses
Falta progressiva de resposta às pessoas
Déficit importante no desenvolvimento da fala
Se a falta está presente, aparecem características
particulares como ecolalia e linguagem metafórica
Respostas incoerentes a diferentes aspectos do meio
ambiente: resistência às mudanças ou apego a objetos animados e inanimados
Não há alucinações ou incoerência.
Devemos levar em conta que nos casos em que são
encontradas algumas características descritas na historia clinica, é necessário
um exame cromossômico. Isso permitirá descartar ou confirmar a presença de um
cromossomo X Frágil.
Também pode ocorrer que a apresentação clínica seja
compatível com a SXF mas seu cariótipo, ou seja o resultado do estudo
cromossômico, seja normal. Neste caso deve ser feito um estudo de biologia
molecular que deverá esclarecer a dúvida. Desta maneira, um cariótipo normal
não é suficiente para descartar uma SXF e, frente a dúvida, se faz um exame
molecular.
Em primeiro lugar, o motivo pelo qual se realiza o
exame cromossômico, deve-se a que o quadro clínico poderia estar vinculado a
outro tipo de alterações cromossômicas que só podem ser detectadas em exames
destas características.
Para completar o diagnostico, é importante realizar um
exame de neurotransmissores com o objetivo de saber que tipo de alteração
bioquímica deve ser corrigida.
Tratamento
Há mais de 15 anos o Dr. Le June utilizou o ácido
fólico para tentar reverter a síndrome. Está prática baseou-se no fato de que o
ponto frágil é dependente do ácido fólico. Isto significa que em presença desta
substancia era possível observar in vitro, que baixava a percentagem de células
com o ponto frágil.
Acreditou-se que também era possível reverter alguns
aspectos do quadro clinico, mas isto não ocorreu. O que se conseguiu nesta
experiência foi diminuir a percentagem de pontos frágeis visíveis no
microscópio óptico.
Na atualidade, as possibilidades terapêuticas destes
pacientes mudaram de uma maneira substancial. Focalizando o problema
adequadamente, aparecem mudanças de intelecto, na expressão e na atenção. Na
maioria dos pacientes, esta melhoria se nota em poucos meses. Parecem mais
adultos, falam melhor e prestam mais atenção, sentem-se partícipes e não só um
apêndice do grupo familiar. Por outro lado,
a família e os amigos, ao observarem sua melhoria agem de forma normal,
e isto faz com que eles se sintam muito melhor. Ao contrário da atitude
anterior que, sem perceberem em muitos os casos, deixavam-o de lado.
Baseado nas experiências anteriores e nas próprias
pesquisas. O Dr. Herman Bleiweiss começou a utilizar neurotransmissors no
tratamento.
Foi no Congresso de Psiquiatria de 1989, realizado na
Grécia, que apresentou este novo tratamento.
HANSENÍASE
O
bacilo de Hansen também conhecido com lepra, é uma doença infecto-contagiosa
conhecida desde os primordeos (primeiros tempos). Conhecida pelos gregos 500
anos a.C. e denominada hanseníase com o intuíto de retirar do doente e de sua
familia o estigma da palavra lepra, eivado de tradições e crendices de muitos
séculos. Existem três tipos:
1) Tipos lepromatoso: com o aparecimento de másculas
sobre a pele e nódulos infiltrados de tecido sudcutâneo nos quais pulula o
bacilo de Hansen.
2) Tipo tuberculóide : também caracterizado por
másculas e infiltrações e onde se põe em evidência o grão lúpico por
vitropressão ma s cujas lesões não encerram bacilos.
3) Tipo hanseníase nervosa: caracteriza por neurites e
polineurites acarretada de atrofias musculares e ulcerassões, mas as lesões
cutâneas assumem menor importancia que as formas prescendentes.
Em geral, os sintomas da hanseníase são:
-manchas, nódulos
e alterações da sensibilidade térmica e dolorosa no local. Pequenas
atrofias musculares e corrimentos nasais, podendo acompanhar os demais simtomas
como: mutilações e preconceitos e descrições.
HANSENÍASE
A
hanseníase é uma doença infecciosa provocada por um bacilo
álcool-ácido-resistente, descoberto pelo médico e botânico norueguês Armauer
Gerhard Henrvk Hansen (1841-1912), em 1874. Pelo simples exame a fresco, Hansen
demonstrou, nas chamadas células leprosas de Virchow, encontráveis nos nódulos
cutâneos da doença, a presença de bastonetes agentes da infecção. Abraão
Rotberg (1912), no Brasil, propôs em 1967 a designação hanseníase, em
substituição a lepra e morféia, altamente estigmatisantes. O Brasil
infelizmente, é o segundo país do mundo em número de pessoas atingidas pela
hanseníase, só superado pela Índia, que tem registrado mais de um milhão de
casos. Para erradicar a doença, o Ministério da Saúde, já em 1976, proibiu o
termo lepra como sinônimo da hanseníase, embora não tenha conseguido sucesso no
combate de preconceito que envolve a
doença. Agora o Conselho Nacional de Saúde atendendo à reivindicação das
Organizações Não-Governamentais ligadas ao assunto, criou o projeto 2000, que
utiliza os meios de comunicação para melhor informar à sociedade. O bacilo
mycrobacterium leprae ataca a pele e os nervos. Mas o curioso é que 90% da
humanidade tem imunidade natural contra a hanseníase. A doença não mata e só se
agrava e se espalha caso não se procure logo o tratamento. Com medicação
moderna, através de comprimidos, o risco de contágio cessa em 15 dias. O difícil
está em detectar o problema e procurar ajuda. O primeiro alerta são as manchas
insensíveis à qualquer forma de estímulo, como a dor e o calor. Basta fazer um
teste com a ponta de um agulha para avaliar a insensibilidade.
SITUAÇÃO DA HANSENÍASE NO BRASIL
Região Casos já existentes Novos casos Norte 26.280 8.761 Nordeste 25.313 6.738 Sudeste 76.145 9.100 Sul 23.954 1.399 Centro-Oeste 30.271 6.990 Total. 181.963 32.988
O
bacilo de Hansen apresenta praticamente as mesmas caracteristicas do bacilo de
Koch, 'agente da tuberculose'. Todavia, nas lesões chamadas lepromatosas,
dispõe-se em faixas, as chamadas globias, nas quais os bacilos se acham
reunidos por uma substância de contenção não coravel, a gléia. Como o bacilo da
tuberculose, o da lepra apresenta granulacões bem estudadas, em 1886, pelo
pesquisador brasileiro Adolfo Lutz (1855- 1940). Numerosas culturas tem sido
obtidas de lesões de hanseníase, constituídas por bacilos difteróides, bacilos
ácido-resistentes cromogênicos. Contudo, enquanto não se dispuser de critério
seguro para a caracterização do verdadeiro bacilo da hanseníase, será
impossível afirmar o significado etiológico de semelhantes culturas.
Tentativas
realizadas com o objetivo de reproduzir experimentalmente a hanseníase no homem
têm dado resultado negativo. Em macacos
e hamisters conseguiram alguns pesquisadores a reprodução de nódulos ricos em
bacilos, principalmente quando esses últimos animais são esplenectomizados.
Para se corar o bacilo, ultiliza-se o método de Ziehl-Neelsen, aparecendo o
mesmo sob forma de bastonete (bacilo alongado), corado em vermelho.
No V
Congresso Internacional de Leprologia, realizado em Havana (1948), foi
vitorioso no ponto de vista dos leprólogos sul-americanos, particularmente
brasileiros e argentinos, que propugnavam por uma classificação mais racional
da bacilose, baseada em conceitos clínicos, bacteriológicos, estruturais,
imunológicos e epidemiológicos. Duas formas polares foram consideradas: a
lepromatosa (símbolo L) e a tuberculóide (símbolo T). Reconheceu-se, além
disso, que um grupo de casos com caracteres bem menos definidos, menos estáveis
e incertos quato à sua evolução, fossem designados indeterminado
(indiferenciado) com o símbolo I. As caracteristicas desses tipos em linhas
gerais, são as que se seguem .
Tipo lepromatoso. Resistência mínima à presença,
multiplicação e disseminacão dos bacilos; presença constante de grande número
de bacilos nas lesões, com acentuada tendencia à formação de globias;
manifestações clínicas peculiares na pele e mucosas (especialmente nas vias
respiratórias superiores), olhos, nervos periféricos e outros orgãos;
negatividade habitual à leprominoreação; estrutura granulomatosa patognomônica;
acentuada estabilidade de tipo, quanto à evolução, e tendência à piora
progressiva. São casos 'infectantes' ou 'abertos'.
Tipo tuberculóide. Alto grau de resitência à presença,
multiplicação e disseminação dos bacilos; baciloscopia geralmente negativa ou
presença de escassos bacilos, exceto nos casos racionais, quando podem ser
abundantes; manifestações clínicas peculiares predominantes na pele e nervos
periféricos, com tendência a limitação e extenção variável, segundo a
reatividade tissular; positividade da lepromino-reação, em alta percentagem de
casos; estrutura granulomatosa tuberculóide praticamente constante em lesões
ativas; marcada estabilidade de tipo e forte tendência à regressão espontânea
em ausência de reações repetidas. Esses casos são habitualmente 'não
infectantes' ou 'fechados'.
Grupo indeterminado. Resistência variável;
manifestações clínicas predominantes na pele (máculas planas, hipocrômicas,
eritemato-hipocrômicas ou eritematosas) e nos nervos periféricos; baciloscopia
em geral negativa ou com escassos bacilos; lepromino-reação negativa ou
positiva; estrutura inflamatória simples; estabilidade de caracteres muito
menor que a de qualquer dos tipos 'polares'; tendência variável com respeito a
persistência, progresso, regressão ou transformação em algum dos tipos básicos.
Esses casos são hbitualmente 'não infectantes'.
As
principais provas de laboratório que se usam para o diagnóstico da hanseníase
são as seguintes : A)pesquisa do bacilo (a- no muco nasal; b- nas lesões
cutâneas; c- nos gânglios; d- nos nervos) B) exames sorológicos (a- fixação do
complemento | reação de Eitner | ; b- reação de Rubino; c- hemaglutinação
passiva).
A pesquisa de bacilos no muco nasal é de grande valor
diagnóstico, com a condição de ser feita com técnica adequada: não basta raspar
superficialmente a mucosa, é necessário atritá-la fortemente, fazer uma
verdadeira curetagem. A administração
peroral de iodeto de potássio(1g diariamente durante de 3 a 5 dias) é
recomendável nos casos duvidosos, pois provoca maior secreção nasal e, assim,
favorece a pesquisa.
Nas
lesões cutâneas, procura-se-á colher o material do bordo das mesmas, atravéz de
uma pequena incisão que atinja a camada dérmica. Com o material assim obtido,
fazem-se esfregaços, que serão cortados pelo Ziehl-Neelsen. Melhores resultados
são proporcionados pelo exeme histopatológico de fragmentos de pele retirados
por biopsia, que permitem, além da evidenciação do bacilo, a confirmação da
classificação da forma da doença.
Nos gânglios e nervos a pesquisa do bacilo da
hanseníase é geralmente feita em esfregaços corados pelo Ziehl-Neelsen, de
material obtido por punção.
Existem no soro hansenioso anticorpus capazes de fixar
complemento em presença de extratos de lepromas (reação de Eitner) ou de
lipóides extraídos de bactérias sorologicamente relacionadas ligadas ao bacilo
de Hansen, como Streptothrx leproides (antígeno de Deicke-Gomes) ou o M.
Tuberculosis (antígeno de W. K. K. ). Este último dá com os soros hanseniosos
reações particularmente intenças e em maior percentagem que na tuberculose: na
hanseníase cutânea e na hanseníase mista, em cerca de 95%; na hanseníase
nervosa, em perto de 75%; nos casos incipientes, em aproximadamente 45%.
Reações
positivas à cardiolipina são também observadas em certa percentagem de soros
hanseniosos. Não parece tratar-se, porém, de reações falso-positivas, não
apenas porque ocorrem na mesma proporção que na população geral de mesmo nível
sócio-econômico, na mesma região, como também porque os soros hansenianos
Wassermann-positivos, em sua quase totalidade, são também positivos à prova de
imobilização do T. Pallidum.
Uma reação positiva com o antígeno de W. K. K.,
excluídas a tuberculose e a difteria, bem como certos casos em que o soro dá
reações inespecíficas (em particular no pênfigo e na leshmaniose), deve ser
interpretada como hanseníase, máxime se ouver suspeita clínica.
A
hanseníase é infecção relativamente pouco contagiosa, parecendo que no decorrer
da vida, nas populações em que infecção é endêmica, cria-se um estado de
relativa resistência do bacilo de Hansen, à semelhança do que acontece em
relação à tuberculose. Da mesma maneira que a impregnação do organismo pelo
bacilo de Koch, evidenciável pela alergia à tuberculina, coincide com certo
grau de imunidade à tuberculose, também na hanseníase uma resistência relativa
se observa nos indivíduos que, provavelmente em conseqüencia de exposição ao
bacilo de Hansen, desenvolvem uma capacidade maior de reação tissular,
traduzida pela positividade da chamada reação à lepromina ou reação Mitsuda. A
reação á lepromina, descrita em 1923 por Kausuke Mitsuda (1876-1964), consiste
na formação de um nódulo eritematoso infiltrado, que alcança seu máximo de
desenvolvimento entre três a quatro semanas após a injeção intradérmica de
0,01-0,02cm3 de lepromina ou antígeno de Mitsuda. O tipo de lepromina mais
comumente utilizado é o de Mitsuda-Hayashi, que consiste essencialmente em um
cocto-extrato de leproma, filtrado atravez de seda ou nylon de malha fina e
preservado com 0,5% de fenol.
No
Brasil, a reação à lepromina é positiva na maioria dos adultos e começa a
positivar-se nas crianças a partir de quatro anos. Nos comunicantes de
hanseniosos verificou-se que todos aqueles que se tornaram doentes apresentaram
reação negativa à lepromina. Ver-se-á adiante que a reação de Mitsuda fornece
precioso subsídio á classificação das formas de hanseníase e é,
conseqüentemente, de valor inestimavel no prognóstico dessa infecção.
O elo
que liga a positividade da reação de Mitsuda à resistência contra o bacilo da
hanseníase pode ser apenas objetivo de especulações teóricas. Se se admite que
a reação à lepromina representa mnifestação de hipersensibilidade retardadda,
podem-se aplicar ao caso da hanseníase as mesmas considerações que foram feitas
em relação ao papel da alergia no mecanismo da imunidade contra a tuberculose.
Nesse particular, devem ser especialmente mencionadas as pesquisas de John H.
Hanks (1974), que, estudando comparativamente o comportamento de culturas de
fibroblastos provenientes de casos de hanseníase tuberculóide (Mitsuda
positiva) ou de hanseníase lepromatosa (Mitsuda negativa), verificou que os
primeiros destruíam os bacilos da hanseníase, transformando-os em detritos
ácido-resistentes, e tendiam a tomar forma epitelióde; os segundos, ao invés,
cresciam normalmente, apesar de conterem quantidades muito maiores de bacilos.
Esses
resultados devem ser aproximados das verificações de Emanuel Suter (1935) com o
bacilo da tuberculose: esse germe é capaz de multiplicar-se no interior de
macrófagos cultivados de cobais normais, mas não em macrófagos provenientes de
cobaias vacinadas com o B.C.G.
O
bacilo da hanseníase, em conseqüencia de suas limitações metabólicas, é incapaz
de crescer nos fluidos extracelulares, onde, ademais, sofre ações adversas que
lhe comprometem a própria vitalidade (conclusões extrapoladas de resultados
experimentais como o M. Leprae-murium). Pode-se-ia, pois, admitir que a
modificação de reatividade, celular, expressa pela reação de Mitsuda, pudesse
conferir maior grau de imunidade ao bacilo de Hansen do que o verificado em
relação ao bacilo de Koch nos indivíduos alérgicos à tuberculina. Importa
salientar, entretanto, que tais considerações representam mera conjetura, pois
não há elementos sufucientes para afirmar que a ação inibidora das células em
relação à multiplicação bacilar e a reação à lepromina sejam dependentes de um
mecanismo comum.
A
profaxia daq hanseníase é baseada essencialmente: a)no censo dos casos,
realizado pela verificação de notificações e denúncias, pelo exeme e controle
de comunicantes e de coletividades ('amostras' da população); b)no isolamento e
tratamento dos doentes contagiantes (leprosários); c)no exame periódico e
tratamento em dispensário dos doente com alta (baciloscopia negativa).
Vacinação
contra a hanseníase pelo B.C.G. Crianças de descendência não portadora de
hanseníase, negativas às provas de Mantoux e de Mitsuda, passaram a reagir
positivamente tanto à tuberculina, como à lepromina após a vacinação pelo
B.C.G. Essa observação, confirmada por numerosos autores, veio focalizar a
atenção dos leprogistas sobre o possivel valor proliláctico do B.C.G. na
infecção hanseniana. As investigações sobre o assunto não permitem, porém, uma
conclusão definitiva.
Bases
gerais do tratamento. Inúmeros medicamentos têm sido ensaiados no tratamento da
hanseníase, mais, até poucos anos, o único que parecia mostrar certa
eficácia era o óleo de chalmugra e seus derivados, sobre tudo o
chalmugrato de etila. Desde 1943, porém a chalmugra foi substituída pelas
sulfonas, a princípio por derivados da diaminodifenilsulfona (DDS), tais como o
DDS dextrose sulfonato de sódio (Promin), o DDS formaldeído sulfoxilato de
sódio (diasone, Diamidin etc.) e, a partir de 1948, pela própria 'sulfonamãe'
(DDS). Esta, primeiramente considerada demasiado tóxica, revelou-se mais tarde
de boa tolerância em dose reduzida (0,3 a 1,2g por semana, em adultos) e e tão
eficaz como os compostos substituídos, muito mais caros.
Os
resultados do tratamento pelas sulfonas, ratificados pela experiência em
leprosários de diversos países, são altamente benéficos, manifestando-se não só
pela melhoria clínica, como, em bom número de casos, pela negativação do exeme
bacterioscópico. Além das sulfonas, têm dado resultados promissores no
tratamento da hanseníase a tiossemicabazona (Tb 1), a ciclosserina e a
difeniltiouréia. O emprego dessas drogas, em associação ou em alternância com o
tratamento pelas sufonas, parece recomendável à luz de observações recentes e
merece mais ampla investigação.
A HANSENÍASE DOS RATOS. Venceslau K. Sstefansky
(1867-1950) descreveu, em 1903, nos ratos de Odessa, uma doença que até certo
ponto se assemelha a hanseníase humana e que, tal como esta, produzida por um
bacilo ácido-resistente incultivável --- o bacilo de Stefansky. A forma típica
da doença é a forma músculo-cutânea, em que aparecem zonas ovais de alopecia,
sobretudo ao nível da cabeça; atrofias e ulcerações da pele; infiltrações
subcutâneas e musculares. Histologicamente, encontra-se infiltrados
constituídos por células epitelióides e células hanseniosas repletas de
bacilos.
A
reprodução experimental da hanseníase murina se consegue com relativa
regularidade: desenvolve-se um quadro crônico de doença (seis meses a um ano)e,
à necropsia, verifica-se lesão em torno do ponto de inoculação, com repercussão
sobre os gâglios vizinhos e abundantes bacilos ácido-resistentes.
A
relativa facilidade com que a hanseníase murina pode ser transmitida em série
no rato diferencia a nitidamete da hanseníase humana, que só excepcionalmente
se tem podido transmitir ao rato. O hamster é particularmente sensível à
hanseníase dos ratos, pensando alguns autores que os casos de inoculação
positiva no hamster com materia humano devem ser atribuídos à infecção humana
pelo bacilo de Stefansky. As evidências em favor da infecciosidade do vírus
murino para o homem são, porém, insuficientes.
As
sufonas e determinadas sulfamidas permitem curar completamente a hanseníase
tuberculóide. A lepromatosa pode ser estabilizada, mas em geral o tratramento
precisa se estender por toda a vida do paciente. A hanseníase é doença
notificada obrigatória às autoridades sanitárias. No Brasil a hanseníase é
endemia de grande importancia com mais de 181.963 casos registrados (almanaque
Abril 1995), este número poderá ser maior devido o descontrole populacional. Os
preconceitos contra a doença advinham secularmente do temor do contagio e das
deformidades atribuídas à doença; por isso mesmo os hansenianos eram até
rescentemente isolados. Os preconceitos deixaram de ter razão de ser, pois o
tratamento disponivel elimina o contgáio, além do que as deformidades (perdas
de partes do corpo), não são provocadas pela doença. Hoje o tratamento é feito
em ambulatório e o paciente leva vida normal, cada vez com menos problemas de
contágio ou deformidade. A doença atinge mais as pessoas que vivem em condições
precárias de higiene. As medidas preventivas incluem o pronto tratamento dos
casos inicias, o exeme periódico dos contados domiciliares do paciente e a
educação sanitária da população. No Brasil nota-se nas estatísticas que a
incidência da doença é bem menor no nordeste que no sudeste, mas isso na
verdade tem sido atribuido à precariedade do diagnóstico e das estatísticas no
Nordeste, que a incidência seria maior que os dados disponiveís indicam.
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