A Genética atual tem visto o seu campo de
ação ampliado: cerca de 30% das admissões em Pediatria e cerca de 10% das
admissões de adultos em hospitais. Isto deve-se a vários fatores,
principalmente à melhoria das condições de saúde que, favorecendo a sobrevida
de indivíduos com algumas síndromes, tornam visíveis algumas doenças genéticas.
A incidência de indivíduos com defeitos
congênitos é alta: 14% dos recém-nascidos tem um defeito congênito leve único,
não valorizável, e 0,8 % tem dois defeitos. O aumento da incidência relativa
das anomalias de ordem genética têm algumas causas: existe hoje maior acesso ao
diagnóstico; maior capacidade de diagnóstico (mais especialistas e mais meios);
a seleção natural deixa de ser operativa desde que crianças doentes que antes
morriam cedo atingem hoje a idade da procriação.
A síndrome de Treacher Collins é a mais
comum, dentre as síndromes com disostose mandíbulo-facial.
As Malformações Congênitas (do latim
CONGENITUS = nascido com) Humanas, podem ser estruturais; funcionais;
metabólicas; comportamentais e hereditárias.
A anomalia trata-se de uma anormalidade
estrutural de qualquer tipo (não incluidas as variantes anatômicas) que pode
estar presente ao nascimento.
Geralmente as causas das anomalias
congênitas não possuem um único agente etiológico, mas sim a combinação de
fatores hereditários com fatores ambientais
sendo então chamada
de HERANÇA MULTIFATORIAL. São de causas desconhecidas 50 a 60% das anomalias
congênitas!
A Disostose Mandibulo-facial é uma
ANOMALIA CONGÊNITA CRANIO-FACIAL de caráter AUTOSSÔMICO DOMINANTE (homens e
mulheres são afetados igualmente) com EXPRESSIVIDADE VARIÁVEL e PENETRÂNCIA
INCOMPLETA. Isto significa que basta um dos pais possuir o gene para que a
carga genética da síndrome seja transmitida à prole, porém esta pode não
apresentar os sinais clínicos da disostose mandibulo-facial, ou se o fizer, em
intensidade diferente da dos pais.
Esta é uma síndrome aonde 60% dos casos
são mutações novas, sem nenhum relato prévio na família. Apresenta ainda um
GENE DE EFEITO LETAL, causando aborto espontâneos e natimortos. Há prevalência
estatística da síndrome quando o gene herdado é materno.
Sua patogenia é explicada através do
resultado de um retardamento ou falta de diferenciação do mesoderma da maxila e
mandíbula os quais apresentam-se hipoplástísicos resultando em alterações como:
macrostomia, palato fundo as vezes fissurado, posição anormal e má oclusão dos
dentes.
Tem-se elucidado a patogênese da disostose
mandíbulo-facial baseada na morte das cristas neurais criando um espaço no
desenvolvimento das orelhas e um escasso ectomesênquima no primeiro e segundo
arcos branquiais.
DESCRIÇÃO
O termo disostose mandíbulo-facial faz
referência a uma anomalia que pode ser encontrada isolada ou associada a outras
alterações, resultando em várias síndromes de má formações e que tem
envolvimento simétrico facial bilateral.
A síndrome de Treacher Collins
caracteriza-se por uma má formação de defeitos intimamente relacionados com o
crânio e face, obedecendo padrão hereditário, de transmissão dominante.
Histórico
O primeiro caso foi descrito por Thomson,
em 1846;Berry fez a primeira referencia bibliográfica das fissuras faciais que
envolvem o 1 e o 2 arcos branquiais, em 1889;Treacher Collins descreveu os
componentes essenciais da síndrome em 1900. Franceschetti, Zwahlen e Klein mostraram
características de herança familiar na síndrome e cunham o termo DISOSTOSE MANDIBULO-FACIAL (1944/1949). Em
1973, Paul Tessier classificou como a combinação de 03 fissuras raras na face.
Comentário:
A grande variabilidade da expressão desse
gene responsável pelas diferenças em relação ao quadro clínico, levou a
interpretações errôneas em alguns casos, os quais foram descritos como
entidades diferentes. Cabe a Franceschetti o mérito de haver chamado a atenção
para estas variações fenotípicas da doença.
Existem
autores que classifiquem Treacher Collins e Franceschetti como síndromes
distintas, pois suas características são praticamente as mesmas, e a diferença
se dá no pavilhão auditivo, que na síndrome de Treacher Collins e obstruído (
orelha mal formada) e na Franceschetti há orelha, mas há problemas quanto a
condução do som.
Caracteristicas CLINICAS (VARIAVEIS)
·
Hipoplasia
(pouco desenvolvimento) da região malar
+ ou - na fenda do osso zigomático
·
Agenesia ou
falta de fusão do arco zigomático (ossos do rosto depressivos)
·
Mal formação dos
pavilhões auriculares (microtia)
·
Atresia do
conduto auditivo externo (hipoacusia)
·
Surdes de
condução (ausência no canal auditivo externo ou defeito do ossiculo)
·
Coloboma da
pálpebra inferior
·
Ausência parcial
ou completa dos cílios nas pálpebras inferiores
·
Posição
antimongolóide das fendas palpebrais
·
nariz com dorso largo e sem ângulo naso-forntal
·
Proeminência da
ponte nasal
·
Altura facial
anterior aumentada
·
APRESENTAM DESENVOLVIMENTO MENTAL NORMAL
ASPECTOS ORAIS
·
hipoplasia mandibular, principalmente de ramo, côndilo
e processo coronóide
·
maxila atrésica com palato ogival - 30% dos casos com
FENDA PALATINA
·
-Incompetência
funcional do palato mole,
·
mordida aberta anterior
·
Cavidade oral e
passagem do ar pequenos , mas a língua tem tamanho normal
·
Agenesia ou
hipoplasia dos seios paranasais
·
Mento recuado/
boca inclinada para baixo.
Manifestações pouco freqüentes
·
Hipoplasia da
faringe;
·
Coloboma da
pálpebra superior;
·
Microftalmia
·
Macrostomia ou
Microstomia (largura normal da boca) uni ou bilateral.
·
Atresia das
coanas;
·
Fístulas em
fundo de saco e apêndices cutâneos entre o pavilhão auricular e o ângulo da
boca;
·
Agenesia da
parótida;
·
Cardiopatia
congênita,
·
presença de
cabelos na parte externa das faces
·
Foram descritos
somente 5% de casos de oligofrenia.
Evolução
Estes pacientes apresentam às vezes
dificuldades respiratórias nos primeiros meses de vida, causadas pela
exigüidade das vias aéreas; a traqueostomia temporária está indicada em alguns
casos. A intubação costuma estar dificultada pelas vias aéreas muito estreitas.
A grande maioria destes pacientes apresenta inteligência normal, de modo que o
diagnóstico precoce da surdez e a correção da mesma pela cirurgia ou através
dos aparelhos de audição, quando possível, se reveste de grande importância
para o desenvolvimento da criança
O crescimento dos ossos da face durante a
primeira e segunda infância resulta em certa melhora das condições estéticas,
as quais melhoram mais ainda com a cirurgia plástica.
PROBLEMAS E APARELHOS CORRETIVOS
Problemas
respiratórios são os mais freqüentes, principalmente em bebês e crianças, esses
problemas são agravados quando há resfriados e infecções. Isto pode ser
explicado pelo fato do palato ser alto e as passagens nasais muito
pequenas.Esse problema pode ser sanado com a traqueostomia ou por um aparelho
que leva o ar do nariz aos pulmões ( CPAP).
Os problemas
dentais também são freqüentes pois a cavidade bucal e pequena e os dentes ficam
apinhados e pode haver mordida incorreta, que são sanados com aparelhos
ortodônticos.
Os problemas
auditivos , causados pela ma formação das orelhas e canal auditivo são
solucionados por aparelhos de audição.
TRATAMENTO
O tratamento se inicia desde o nascimento,
orientando a família quanto as particularidades da anomalia e os cuidados, que
serão muitos, necessários ao longo da vida da criança.
Se o recém nascido for portador de fenda
palatina, esta deve ser encarada segundo protocolos modernos de tratamento,
sendo com o uso imediato de ortopedia funcional dos maxilares prorrogando ao
máximo o procedimento cirúrgico de fechamento da fenda até o início da
alfabetização.
Mesmo que não haja fenda, a ortopedia dos
maxilares sendo sucedida pela ortodontia fixa previne ou minimiza grandemente
as deformidades dento-faciais características da disostose mandibulo-facial.
O problema mandibular deve ser encarado
como se o paciente fosse portador de microssomia craniofacial, seguindo-se
assim o protocolo para distração mandibular, sendo uma das grandes indicações
de distração mandibular bilateral quando da erupção dos primeiros molares
permanentes.
O tratamento dos tecidos
firmes e moles da face podem requer um número de intervenções cirúrgicas, a
primeira sendo a correção do coloboma de pálpebra nos primeiros anos de vida
(dependendo da severidade). O próximo passo, é a reconstrução da órbita com
enxertos de ossos da calvária (região superior do crânio) e correção do
deslocamento lateral canthal (correção da órbita ocular). Já a reconstrução da
orelha se faz dos 5 aos 7 anos de idade. A correção da parte inferior da face e
mandíbula , envolvendo uma íntima coordenação entre o cirurgião craniofacial e
o odontopediatra /ortodentista, com intervenção ortodôntica no começo da
erupção dos dentes permanentes do paciente. Depois que os dentes estão
alinhados em seus eixos (ou mais próximo possível) o tratamento da face
inferior, agora envolve cirurgia ortognática para reposicionar a mandíbula e a
maxila, geralmente feito quando o paciente tem 10 anos de idade. Isto pode ser
um ou dois procedimentos. O procedimento combinado envolve rotação do segmento
do meio facial ao redor de um eixo transverso no ângulo fronto nasal (para
hipoplasia maxilar severa) e alargando o ramo mandibular. Para casos menos
severos é usado a técnica de osteotomia
tipo Le Fort I para abaixar tuberosidade maxilares com o procedimento de
alargamento do ramo para a mandíbula. A medida que a face da criança continua a
crescer, procedimentos adicionais podem ser requeridos para corrigir qualquer
deformidade no desenvolvimento.
Procedimentos
complementares como enxertos de cartilagem da costela no zigomático,
encerramento da macrostomia, e genioplastias secundárias são representados de
acordo com os casos individuais. Um regime de tratamento bem planejado podem
produzir excelentes resultados finalizando em uma restauração completa de forma
e função, por conseguinte, permitindo que o paciente se adapte a uma maneira
“normal” de vida.
Cirurgia
Canthal
Muitas deformidades congênitas e adquiridas
são associadas com deslocamento Canthal medial e lateral. Pacientes com
telecanto, epicanto, hipertelorismo, síndome de Down, disostoses craniofacial e
deformidades adquiridas, todas podem ter deformidades Canthal.
Avaliação da
posição e forma do área Canthal é uma necessidade no planejamento de um
cirurgião de órbita.
O contorno e
posição do Canthi. São componentes importantes no balanço estético e simétrico
da face.
Cirurgia Canthal
consiste essencialmente em reposicionar o tendão Canthal para a posição
desejada e segurando-o no osso. Isto parece ser um simples procedimento,
entretanto, devido a complexidade anatômica da área Canthal medial e da
dificuldade de obter contorno normal simétrico do tecido mole, este
procedimento não é nem tão fácil, nem tão previsível do que parece ser. Atenção
para a técnica cirúrgica, tensão e contorno do tecido mole, posição e
mobilização do osso e curativo do tendão no osso.
Todos são
importantes para um resultado final definitivo da cirurgia Canthal.
PACIENTES OBSERVADOS
DIANA
-> 3 anos
Diagnóstico -> síndrome Treacher Collins
Sinais Clínicos -> pavilhão auricular fechado, retrognatia,
não tem comprometimento intelectual, micrognatia, audição deficiente , Coloboma
na pálpebra inferior
ANDERSON
-> 11 anos
Diagnostico -> Franceschetti
Sinais Clínicos -> micrognatia, coloboma da pálpebra
inferior, mordida aberta anterior, posição antimongoloide das fendas
palpebrais,hipoplasia da região malar próxima a fenda do osso zigomático,
surdes de condução .







Nenhum comentário:
Postar um comentário